50 anos em três minutos


Em novembro 2016 estou completando 50 anos de existência e resolvi fazer uma retrospectiva dos acontecimentos mais marcantes registrados em minha memória. Minha ideia é contar um pedacinho da minha historia sem me alongar muito e deixar um pouquinho da minha visão dos acontecimentos destes 50 anos.

Quando nasci em 1966 a TV no Brasil ainda era em preto e branco. Meus pais nem sonhavam poder comprar uma TV. O telefone então era um artigo de luxo. De modo geral os eletrodomésticos eram exclusividade de pouquíssimas pessoas. Não tínhamos muito, mas nada essencial nos faltava. Esperei até os 20 anos de idade para morar numa casa com luz elétrica. Até os 30 para comprar a minha primeira TV em cores.

Com a decadência dos empregos nas fazendas, acabei migrando para cidade grande. Foi uma mudança radical no meu estilo de vida. Demorei anos para me adaptar. Talvez ainda esteja me adaptando. Arrumei um bom trabalho, numa grande industria e até o presente dia continuo lá.

Como todos os jovens, eu tinha muitos planos para o futuro. Era um sonhador. Tinha sonhos voadores que  com o passar do tempo não decolavam mais do solo. Talvez seja o amadurecimento, e o crescimento das raízes da responsabilidade. Não tenho esta resposta e não preciso mais. Acredito que Deus atendeu todos os meus pedidos e sonhos refeitos.

Nestes 50 anos que tenho vivido por aqui, vi o crescimento das inovações tecnológicas, numa velocidade que mal podia acompanhar. A chegada do celular era uma coisa fantástica para alguém que namorou por cartas escritas a mão e enviadas pelos correios.

Acompanhei por duas vezes as previsões do fim do mundo. A primeira foi a virada do milênio, ano 2000. A Segunda foi em 2012, a profecia Maia. Com o tempo percebi que as profecias eram feitas apenas vender livros e filmes.

Aprendi que nós, os seres humanos, somos capazes de fazer coisas que parecem impossíveis, como ir a lua, mas ainda somos incapazes de fazer coisas simples, como repartir um simples pão. Milhares de pessoas passam fome enquanto em países ditos civilizados a riqueza abunda e é desperdiçada. Tudo bem, entendo, somos apenas humanos. 

Fizemos guerras em nome da paz, em nome de Deus. Guerras estas declaradas por presidentes que se diziam democratas contra ditadores populistas que também se auto-proclamavam democratas. Eles não lutavam nem guerreavam, apenas as comandavam de dentro de seus palácios. Guerras onde lutaram guerreiros que não sabiam por que lutavam, mas que se odiavam e se matavam, porque foram treinados para agir assim.

Vi algumas pessoas dizerem que eramos capazes combater a violência e semear a paz com simples campanhas em que se usam camisetas e imagens de pombinhas brancas. As pessoas que mais gritavam pedindo tolerância geralmente eram as mais intolerantes.

Ouvi que a escola era a solução contra a violência e a pobreza.  Acho que falta de oportunidades, a desigualdade social contribuem mas não são determinantes porque vejo políticos e lideres se engalfinhado em disputas por poder, dinheiro, leis, territórios, crenças e ideologias. E até onde sei, eles tem boa escolaridade.

Pude acompanhar, o que na minha opinião, é uma degradação dos costumes da família. Famílias inteiras foram despedaçadas em nome das escolhas e liberdades individuais. E por mais que respeitava estas escolhas individuais, as vezes eu não conseguia entender, como podem os filhos serem criados longe do pai ou da mãe. As pessoas querem direitos, mas se negam aos deveres. Defende-se o direito das minorias, mas e o direito das maiorias?

Do meu primeiro casamento nasceram minhas duas filhas. Me transformei em pai. Acreditava que tinha muito a ensinar para elas. Tentei muito, ensinar o que sabia à elas, não consegui. Veio o meu segundo casamento e meu terceiro filho, um homenzinho. Agora eu já sabia que não tinha muito a ensinar, mas tinha muito a aprender. E assim está sendo. 

É uma boa jornada! Estou aprendendo a viver! Acredite, simples assim!

J.D. Araujo

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