sábado, 9 de junho de 2012

A Lenda do Rouxinol e a Rosa

 
Um rouxinol vivia no jardim de uma casa. Todas as manhãs, uma janela se abria e um jovem comia seu pão, enquanto olhava a beleza do jardim. Caíam sempre farelos de pão no parapeito da janela. O rouxinol comia os farelos, acreditando que o jovem os deixava de propósito para ele. Assim, criou um grande afecto por aquele que se preocupava em alimentá-lo ainda que com migalhas. Um dia, o jovem apaixonou-se. 
Mas, ao declarar-se, a sua amada impôs uma condição para retribuir o seu amor: 
que na manhã seguinte ele lhe trouxesse a mais linda rosa vermelha. 
O jovem percorreu todas as floriculturas da cidade, mas sua busca foi em vão. Nenhuma rosa... Muito menos vermelha. 
Triste, desolado, ele foi pedir ajuda ao jardineiro de sua casa. 
O jardineiro declarou que ele poderia presenteá-la com petúnias, violetas, cravos... Qualquer flor, menos rosas. Elas estavam fora de época; era impossível consegui-las naquela estação. 
O rouxinol, que escutara a conversa, ficou penalizado com a desolação do jovem...
Teria que fazer algo para ajudar o amigo a conseguir a flor. 
A ave então procurou o Deus dos Pássaros, que falou:
▬ Tu podes conseguir uma rosa vermelha para o teu amigo... Mas o sacrifício é grande e poderá custar-te a vida!
▬ Não importa, respondeu a ave. O que devo fazer? É para a felicidade de um amigo!
▬ Bem, tu terás que te emaranhar em uma roseira, e ali cantar a noite toda, sem parar. 
O esforço é muito grande; o teu peito pode não aguentar...
Quando escureceu, o rouxinol emaranhou-se no meio de uma roseira que ficava em frente a janela do jovem. Ali, pôs-se a cantar seu canto mais alegre, pois precisava caprichar na formação da flor. 
Um grande espinho começou a entrar no peito do rouxinol, e quanto mais ele cantava, mais o espinho entrava no seu peito. Mas o rouxinol não parou. 
Continuou seu canto, pela felicidade de um amigo. Um canto que simbolizava gratidão, amizade. 
Um canto de doação, até mesmo da própria vida!
Pela manhã, ao abrir a janela, o jovem deteve-se diante da mais linda rosa vermelha, formada pelo sangue do rouxinol. Nem questionou o milagre, apenas colheu a rosa. Ao olhar o corpo inerte da pobre ave,o jovem disse:
▬ Que ave estúpida! Tendo tantas árvores para cantar, foi enfiar-se justamente em meio a roseira que tem espinhos. 
Pelo menos agora dormirei melhor, sem ter que escutar o seu canto chato.
   ► Cada um dá o que tem no coração...
   ► Cada um recebe com o coração que tem...

(Oscar wide)

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